segunda-feira, 29 de setembro de 2008

MISTÉRIOS

Um dia nascemos: nos olhos infantes,
Brilhantes de luz,
Ignoto mistério, velado e profundo,
Fulgura e transluz...

É a chama da vida que n'alma crepita
Do infante ao nascer...
A chama sagrada que brada, que grita,
Que manda crescer!

*

Um dia partimos: nos olhos parados,
De estranho fulgor,
Há um resto de chama que vela o mistério
Da vida e da dor...

É tênue reflexo da Luz já transposta
P'ra as plagas do Além...
O doce reflexo dos fundos arcanos
Que a Morte retém...

Janeiro, 1948
Hernani Trindade de Sant'Anna.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

JUSTIÇA INDEFECTIVEL

Um dos argumentos mais comuns de que lançam mão os defensores da impunidade consciencial, expressa-se na afirmação de que inúmeras pessoas existem, de vida pecaminosa e próspera, que, firmando-se na consagração do mal, jamais se sentiram espicaçadas pelo guante do remorso, findando os seus dias terrenos na robusta certeza de que souberam aproveitar com inteligência todos os recursos que a chance lhes pôs ao alcance na experiência humana.
Assertiva aparentemente bem fundada, não resiste, todavia, ao mais leve exame, desde que feito com serenidade de espírito e isenção de ânimo.
De fato, basta recordar-se o antigo provérbio popular – as aparências enganam, para que a fictícia solidez daquela afirmativa se desestruture e desmorone.
É que ninguém pode, pela simples apresentação exterior e convencional das figuras tomadas para exemplo, aquilatar da intimidade dos seus sentimentos ocultos ou do estado real da sua consciência.
Quem nos diz dos trágicos temores e dos pressentimentos sombrios que assaltam, muita vez, almas de generais, enfestoados nos uniformes garbosos, nas horas decisivas das batalhas?
Entretanto, quem os vê, impávidos, imponentes, olhar firme, atitude de comando, não guarda a menor dúvida a respeito da sua bravura serena e confiante...
O homem sempre foi de habilidosa genialidade no campo das convenções. Sabe, com os mil artifícios da sua inteligência, a serviço do próprio egoísmo, orgulhoso e exigente, mudar o aspecto dos fatos e das coisas, construindo fantasiosos cenários, nos quais esconde sempre a dor e a miséria que se demoram guardadas no imo do coração...
O caso é que, assim como a beleza ou a preciosidade de uma gaiola não operam o milagre de fazer feliz o pássaro cativo, que anseia pela liberdade do imenso azul; também as aparências de felicidade, os aparatos da honra, as lentejoulas da glória falsa, não conseguem restituir ao espírito culpado a bênção da paz interior, arrebatada pelo furacão voraz dos atos criminosos.
Fundamente se engana aquele que busca ver nos brilhos aparatosos das exibições exteriores o reflexo sublimado das resplendências divinas da alma edificada.
Verdade é que, não obstante esse fato, verifica-se, por parte desses muito obstinadamente inconversos, um apego extraordinário às suas gloríolas de latão, que, não poucas vezes, alardeiam, no estandarteamento do seu orgulho.
Isso, porém, longe de indicar tranqüilidade de espírito, atesta sôfrego desespero d’alma, que se apega, insofridamente, a tudo quanto possa distrair-lhe o senso interior, à maneira de um doente que sobrecarrega de ópio o organismo enfermiço, a fim de amortecer os lanceamentos da dor que o dilacera.
O homem não pode fugir à lei divina nem iludir a voz da consciência, porque a lei e a consciência o seguirão a cada passo, aonde ele for. O que ele pode fazer é iludir aqueles que, desprevenidos da verdade, se deixam impressionar pelas armaduras fulgurosas, que ocultam, quase sempre, franzinos esqueletos, chocalhantes e mofinos.
As reuniões mediúnicas de caridade oferecem todos os dias o espetáculo tristonho e extravagante do estertorar de inumeráveis ilusões desse jaez, que se rasgam, dolorosamente, aos dedos da realidade.
Então, despertados do tremendo e sombrio pesadelo que viveram, os pobres lamentam os esforços inúteis e o tempo gasto na faina ingrata de fugir à verdade, caindo nos braços hercúleos da Justiça.

Por Fontes da Luz – Reformador 1948

FRATERNIDADE

Como secretário geral da Federação Espírita do Distrito Federal, Hernani T. Sant'Anna, em uma das suas funções, envia mensagem aos jovens participantes da JUVENTUDE ESPÍRITA, orientando-os quanto às atividades do grupo:

Da União das Juventudes Espíritas do Distrito Federal aos jovens do Brasil – VIII

Um dos maiores ideais do Cristianismo, talvez o corolário de todos, é, sem dúvida, a instituição da fraternidade legítima entre todas as criaturas. Possivelmente, e apesar do quanto pareça em contrário, esse grande e supremo ideal ainda não foi devidamente compreendido.
Verdadeiramente, há quem veja no Espiritismo Cristão uma escola de caráter, um manancial de conhecimentos inesgotáveis e preciosos, uma fonte de iluminação pessoal para quantos lhe busquem a intimidade, um tesouro de incentivos para as lutas individuais e coletivas pelo Bem e pela Verdade, um sustentáculo para as almas em suas provações e em suas dores, uma nascente inestancável de paz para os corações aflitos e atormentados do mundo.
Todavia, bem poucos serão, talvez, os que enxergam na Suave Doutrina de Jesus o código da fraternidade pura, o vínculo de uma união indissolúvel entre todos os seres do Universo, reunidos sob a Paternidade de Deus.
Convém esclarecermos que o verbo enxergar, no caso presente, não significa apenas ver, mas sentir.
De fato, não é novidade para ninguém a definição do que seja fraternidade, mas será, por certo, coisa nova para muitos a experiência da sua prática. E por que? Porque, contrastando com a facilidade extraordinária que temos de compreender os preceitos do Evangelho, esbarramos, na prática dos seus ensinos, com o terrível poder do nosso orgulho inconformado, da nossa vaidade ferida, dos nossos vícios de sentimento, rebelados e exigentes.
Consagrar a fraternidade como norma de vida significa renunciar por completo à própria personalidade, amar infinitamente a tudo e a todos, perdoar sem conta e sem demora, compreender sempre, submeter-se integralmente à direção de Deus que fala na voz da consciência; é humilhar-se para que os outros se engrandeçam, é não presumir-se em detrimento de ninguém, é a ninguém eclipsar com os brilhos dos próprios patrimônios; é não discutir com virulência, é não criticar com malícia, é não olhar com desprezo, é não hostilizar em caso algum; é calar constantemente, é falar com brandura, é esclarecer com mansuetude; é considerar-se o menor entre os pequenos e o mais ignorante entre os humildes; é não alimentar pensamentos agressivos, é não fazer juízos temerários, é não guardar no coração a idéia do adultério e do ciúme.
Fraternidade é amor; amor em pura essência.
Ora, irmão, a mocidade é a flor viçosa da árvore da vida humana. É a flor de esperanças que será fruto amanhã. Dela se plasmará o mundo do futuro e, tal qual ela se tornar, será, no porvir, a humanidade. Se a mocidade abraçar o ideal da fraternidade e apegar-se a ele, que outra coisa esperar-se senão uma sociedade redimida, no amanhã? Mas, se ela preferir ainda o egoísmo, como evitar-se as lutas do amor-próprio e os choques da ambição?
Eis porque fraternizar é a grande tarefa da Juventude Espírita. Fraternizar pelo amor, pela nobreza dos ideais alevantados, pelo Evangelho do Amor e do Perdão.
Mas, como há de a juventude realizar esse trabalho? Pelas prédicas, apenas? Pelos longos discursos, não raro teóricos e vãos? Pelas simples visitas de caravanas? Pelos abraços de protocolar ou externa característica?
Não! Tudo isso não passa de expedientes externos, incapazes, por si sós, de construir coisa alguma. O que fará surgir o sentido legítimo da fraternidade, no seio da juventude, será o senso de renúncia e de humildade que promana o Evangelho, e fará que o jovem aprenda a ir cedendo de si mesmo, em benefício de todos.
A falta desse espírito profundo de Cristianismo é que proliferam os desentendimentos e as dissensões lastimáveis na intimidade dos núcleos juvenis, onde muitas vezes predomina a competição desenfreada pelos postos de mando e pelas honrarias passageiras. É a ausência desse sentido profundo de sacrifício que, lastimavelmente, observamos a insinuação malévola dos propósitos menos edificantes, presidindo às relações de moças e moços, no próprio recesso dos núcleos doutrinários, onde falta aquele propósito sério de edificação em Cristo, para a vida eterna, subsistindo apenas o gosto inconseqüente pelas encenações artísticas de cantos e de festas.
Sem que haja na alma juvenil essa noção de responsabilidade que gera os sacrifícios mais sublimes, como se há de esperar que o moço permaneça no caminho reto, quando se lhe deparem as tentações da carne ou do espírito? Sem que o moço se decida a ver no Espiritismo o caminho estreito de Jesus, como fazê-lo seguir pelas sendas da renúncia, que levam ao entendimento e à construção? E sem que haja espírito de renúncia, como evitar-se que o jovem incida em desvios de sentimento, em desequilíbrio de atitudes, em anormalidades de conduta?
Não nos iludamos: ou o moço verá na sua Juventude uma comunidade de irmãos, onde se deve conservar com o pensamento puro e o coração alteado, ou verá nela uma associação mundana, embora de princípios mais elevados, mas onde predominam os mesmos vícios e as mesmas oportunidades comuns às sociedades seculares.
Repetimos: sem espírito de renúncia e de sacrifício, sem propósitos sérios de auto-educação evangélica, é impossível ao moço permanecer numa Juventude Espírita sem se deixar envolver, intimamente, por idéias pecaminosas. Quando o ambiente que o cerca lhe opõe resistência cristã aos impulsos menos dignos, há de ele transformar-se, obrigatoriamente, ou deserta. Mas, quando nesse ambiente a seriedade não existe?
Daí, irmãos amados, o escrúpulo da “União das Juventudes Espíritas do Distrito Federal” em não abonar a adaptação dos programas das suas adesas a uma orientação que fuja ao sentido da seriedade cristã, impossibilitando que elas se transformem em geradoras de simples, embora encantados divertimentos.
A música é bela e agradável, mas nem sempre é útil; a poesia é sublime linguajar, mas nem sempre é boa; os passeios são salutares e reconfortantes, mas nem sempre edificam; os teatros instruem, mas nem sempre educam e moralizam.
Já dizia Paulo, o Apóstolo: “todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas me convém”.
O jovem precisa, acima de tudo, de Evangelho. Fraternidade não é produto obrigatório de risos, de cantos, de esquetes ou de abraços. Antes, é fruto de renúncia, de trabalho, de sacrifício e de amor.
Que o jovem espírita entenda isso, e, com certeza, o Espiritismo Cristão será, em breve tempo, um Sol fecundo de Fraternidade e Amor, a iluminar tristes e ensombrados do vale Terrenal.
Hernani T. Sant’Anna – Secretário Geral
REFORMADOR DE OUT/1948

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

SALTO PARA O INFINITO

Parte do texto extraído do livro "Em Busca da Verdade", de Hernani T. Sant'Anna, onde descreve, de forma muito interessante e didática, o desenvolvimento da ciência ao longo do tempo:

Degraus da Física Clássica

A ciência libertou-se das velhas concepções materialistas e lançou-se desassombrada no mundo da energia, em busca do infinito.
A matéria deixou de ser, para ciência, a grande e única realidade essencial do universo, para tornar-se, tão somente, não a única, mas apenas uma das formas conhecidas e desagregáveis da energia.
Nossa ciência chega assim ao meio do caminho. Troca o absolutismo da matéria pelo absolutismo da energia. Mas, a energia não gera espontaneamente a si mesma, não se auto-cria, não se prova ser o fulcro original e supremo, criador do universo. Noutras palavras, não é Deus.
Além do mais, todo o pouco que sabemos cientificamente se refere tão só ao nosso Universo, e não ao conjunto inimaginável dos universos que se movem no infinito. Não é à toa que Stephen Hawking, mundialmente reconhecido como sendo o maior astrofísico da atualidade e um dos maiores deste século, declara em seu livro Uma breve história do tempo, de 1988, que não se pode excluir a possibilidade de existir no universo alguma outra forma de matéria que ainda não detectamos; que nossa matemática não pode realmente lidar com números infinitos; que nada podemos estabelecer sobre o que aconteceu antes da grande explosão que originou nosso universo conhecido; e que podemos imaginar que exista um conjunto de leis através das quais os eventos sejam determinados por algum ser sobrenatural. Lembra que Einstein jamais aceitou que o universo fosse comandado pelo acaso, e costumava afirmar que Deus não joga dados.
“Sabemos agora – escreveu ele – que a nossa é apenas uma de algumas centenas de milhares de milhões de galáxias que podem ser vistas através de modernos telescópios, cada uma contendo algumas centenas de milhares de milhões de estrelas.“ Admitiu que “pode haver outras formas de vida inteligente, não sonhadas nem mesmo pelos autores de ficção científica, que não exijam a luz de uma estrela como Sol ou os elementos químicos mais pesados produzidos nas estrelas e que são mergulhados de volta no espaço quando as estrelas explodem”. Falou da admissível evidência de objetivo divino na Criação e reconheceu que “ainda hoje ansiamos por saber por que estamos aqui e de onde viemos!”
Devemos, portanto, ter em conta que nossa ciência, que nos merece tanto respeito, tanta admiração e tanta gratidão, nem é infalível, nem jamais dirá a última palavra, porque nunca cessará de evoluir. E é preciso também reconhecer que ela é abrangente por natureza, abarcando todo o conjunto dos conhecimentos humanos, sem limitar-se a nenhum departamento particular ou especializado das atividades cognitivas. Em trabalho de 1961, publicado em Universitas e reproduzido no livro Páginas de reflexão e auto-retrato (Gradivas, Lisboa), Heisenberg assinalou que “os conceitos científicos existentes só cobrem uma parte muito restrita da realidade; a parte restante, aquela que ainda não foi totalmente compreendida, é infinita.”

“O poder maravilhoso da intuição nasce da fé, cujas asas poderosas alçam a alma, mesmo que não saiba ou ambicione, às culminâncias sublimes das esferas resplendentes.” ----- Áureo.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

DIVERSIDADE

Jornal "O Globo" de hoje (pág.13) : "ATO POR LIBERDADE RELIGIOSA REÚNE 10 MIL PESSOAS" - Representantes de diversas crenças participam de caminhada contra a discriminação na Praia de Copacabana.

REFORMADOR - 1948 : DIVERSIDADE

"E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos". - I Coríntios, 12-6.

Sem luz no caminho, a experiência humana reduz-se a complicado acervo de acontecimentos sem sentido.
Distantes da compreensão legítima, os corações fracos interpretam a vida por mera penitência expiatória, enquanto os cérebros fortes observam na luta planetária desordenada aventura.
A realização terrena, todavia, é curso preparatório para a vida mais completa. Cada espírito se exercita no campo que lhe é próprio, dilatando a herança celeste de que é portador.
A Força Divina está operando em todas as inteligências e superintendendo todos os trabalhos.
É indispensável, portanto, guardarmos muito senso da obra evolutiva que preside aos fenômenos do Universo.
Não há milagres de construção repentina no plano do espírito, como é impossível improvisar, num momento, qualquer edificação de valor na zona da matéria.
O serviço de iluminação da mente, com a elevação dos sentimentos e raciocínios, demanda tempo, esforço, paciência e perseverança. Daí a multiplicidade de caracteres a se aprimorarem na oficina da vida humana; e, por isso mesmo, a organização de classes, padrões e esferas em número infinito, obedecendo aos superiores desígnios do Eterno Pai.
É necessário, pois, que os discípulos da Revelação-Nova, com o Cristianismo redivivo, aprendam a valorizar a oportunidade do serviço de cada dia, sem inquietudes, sem aflições. Todas as atividades terrestres, enquadradas no bem, procedem da orientação divina que aproveita cada um de nós outros, segundo a posição em que nos colocamos na ascenção espiritual.
Toda tarefa respeitável e edificante é de origem celeste. Cada homem, cada mulher, podem funcionar em campos diferentes; no entanto, em circunstância alguma deveremos esquecer a indiscutível afirmação de Paulo, quando assevera que "há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos".
EMMANUEL.
(Página recebida pelo médium Francisco Candido Xavier).

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

NA FRONTEIRA DA MORTE

No jornal " O GLOBO" de hoje, na seção de Ciência, página 38, o artigo de destaque (inclusive com direito a chamada na contra-capa do jornal), é "Na fronteira da morte" - Estudo analisará atividade cerebral dos que vivem a sensação de "sair do corpo". Isso me levou, mais uma vez, a recorrer às páginas do livro "Reformador" de Novembro/1971, onde Joanna de Ângelis discorre sobre o assunto de forma esclarecedora :

EXAMINANDO A DESENCARNAÇÃO

Fatalidade biológica, a morte, ou seja, a mudança de uma forma para outra, por impositivo da necessidade de transformações incessantes, começa quando ocorrem as primeiras expressões da vida.
No homem, por exemplo, em cada segundo, no seu aparelho circulatório morre um milhão de hemácias, que são aproveitadas por células especiais, no fígado, para a elaboração de outras, graças ao ferro que é delas extraído.
Segundo alguns biólogos, em cada sete anos, o corpo humano se renova quase integralmente, à exceção das células nervosas, graças ao processo de transformação ou morte que ocorre na estrutura somática.
Com modificações incessantes, em que a matéria assume a forma energética e esta se adensa em novas expressões físicas, a morte da aparência é uma constante indispensável à evolução.
Do resfriamento da energia que se condensa em matéria, da dissociação das moléculas para o retorno à energia, no homem, o Espírito, que é o modelador da forma, sofre, na sua intimidade, os diversos fenômenos de aglutinação e desagregação estrutural.
Morrer, portanto, ou desencarnar, significa, somente, mudar de estado.

* * *

A desencarnação tem início de dentro para fora, nos tecidos sutis do perispírito que, condicionado a vibrações especiais, encarregadas de manterem a vitalidade físio-psíquica, começam a perder a sintonia, por cuja exteriorização mantém nas suas órbitas as moléculas constitutivas da matéria.
Mesmo nas ocorrências da desencarnação violenta, por circunstâncias de vária ordem, não obstante se dê a morte fisiológica por interrupção da corrente mantenedora da vitalidade, o processo desencarnatório só a pouco e pouco se consuma, através da liberação dos liames psicossomáticos que se encontram imantados ao corpo.
Disso decorrem as sensações violentas, danosas, aflitivas que experimentam os desencarnados, ainda presos à carne, repentinamente arrancados da estrutura material, sem o correspondente desligamento dos núcleos vitalizadores pelo processo paulatino da dissociação liberativa.
As expressões cadavéricas, em tais casos, transitam, em forma de dor ou angústia, dos tecidos em decomposição ao Espírito, mediante a complexa rede de filamentos semimateriais que se fixam nas intimidades celulares, encarregados do processo aglutinador dos átomos nas realidades das funções e formas fisiológicas.
Expressiva a contribuição da mente no processo desencarnatório. Seja o hábito salutar do desprendimento, exercitado pelo Espírito encarnado, seja a lembrança mental dos que se vinculam aos desencarnados, as vibrações se transformam em sensações, produzindo, óbviamente, liberação ou cativeiro do Espírito às formas materiais, conquanto muitas vezes reduzidas a resíduos já em fase final de fusão na química inorgânica do subsolo ou nos carneiros em que jazem.
Comumente, após o desvanecimento da forma, as construções mentais, elaboradas em contínuas fixações nos centros da memória espiritual, se encarregam de reproduzir nas telas sensíveis do perispírito as formas-pensamento que se transformam em suplício de demorado curso – fantasmas que se corporificam e se atam ao desencardano, angustiando-o e atemorizando-o -, até que a dor corretiva, por paulatino processo de coercitivo desgaste, faça que as imagens vitalizadas desapareçam dos painéis mentais.
O mesmo ocorre no campo da organização somática, quando o Espírito sofre a constrição das elaborações mentais, a elas submetendo-se e experimentando o pêso do seu efeito – círculo vicioso, dominante -, que somente se modifica ao império da renovação interior, através de registros salutares que realizarão o ministério da paz, como resultante das conseqüências favoráveis que decorrem dessas causas edificantes.

* * *

Descontrai-te, libertando-te do medo, das paixões, das limitações e voa na direção das paisagens superiores, a fim de que a desencarnação, cujo processo lento já experimentas sem que o saibas, em se consumando, não te agrilhoe ao mundo das formas de que necessitas desvincular-te.
Dia chegará em que o teu processo reencarnatório culminará com a cessação dos ciclos vibratórios no corpo e terás que pairar além e acima das circunstâncias materiais, desencarnado, porém vivo; morto na forma, no entanto, em transformações de dentro para fora, prosseguindo na direção da Vida Abundante.

Joanna de Angelis
(página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, durante a reunião da Semana Espírita promovida pelo Departamento de Infância e Juventude do Ramal de Santa Cruz, no dia 25-7-71, na Gb.)

LIÇÃO DE VIDA !!

Com muito orgulho, esse é meu Pai.

http://www.cefak.org.br/?area=azul&url=destaque/vinculos/hernani/index.php

Abaixo, a obra mais importante:

http://www.cefak.org.br/?area=azul&url=destaque/vinculos/hernani/uv/universo_vida.php