No jornal " O GLOBO" de hoje, na seção de Ciência, página 38, o artigo de destaque (inclusive com direito a chamada na contra-capa do jornal), é "Na fronteira da morte" - Estudo analisará atividade cerebral dos que vivem a sensação de "sair do corpo". Isso me levou, mais uma vez, a recorrer às páginas do livro "Reformador" de Novembro/1971, onde Joanna de Ângelis discorre sobre o assunto de forma esclarecedora :
EXAMINANDO A DESENCARNAÇÃO
Fatalidade biológica, a morte, ou seja, a mudança de uma forma para outra, por impositivo da necessidade de transformações incessantes, começa quando ocorrem as primeiras expressões da vida.
No homem, por exemplo, em cada segundo, no seu aparelho circulatório morre um milhão de hemácias, que são aproveitadas por células especiais, no fígado, para a elaboração de outras, graças ao ferro que é delas extraído.
Segundo alguns biólogos, em cada sete anos, o corpo humano se renova quase integralmente, à exceção das células nervosas, graças ao processo de transformação ou morte que ocorre na estrutura somática.
Com modificações incessantes, em que a matéria assume a forma energética e esta se adensa em novas expressões físicas, a morte da aparência é uma constante indispensável à evolução.
Do resfriamento da energia que se condensa em matéria, da dissociação das moléculas para o retorno à energia, no homem, o Espírito, que é o modelador da forma, sofre, na sua intimidade, os diversos fenômenos de aglutinação e desagregação estrutural.
Morrer, portanto, ou desencarnar, significa, somente, mudar de estado.
* * *
A desencarnação tem início de dentro para fora, nos tecidos sutis do perispírito que, condicionado a vibrações especiais, encarregadas de manterem a vitalidade físio-psíquica, começam a perder a sintonia, por cuja exteriorização mantém nas suas órbitas as moléculas constitutivas da matéria.
Mesmo nas ocorrências da desencarnação violenta, por circunstâncias de vária ordem, não obstante se dê a morte fisiológica por interrupção da corrente mantenedora da vitalidade, o processo desencarnatório só a pouco e pouco se consuma, através da liberação dos liames psicossomáticos que se encontram imantados ao corpo.
Disso decorrem as sensações violentas, danosas, aflitivas que experimentam os desencarnados, ainda presos à carne, repentinamente arrancados da estrutura material, sem o correspondente desligamento dos núcleos vitalizadores pelo processo paulatino da dissociação liberativa.
As expressões cadavéricas, em tais casos, transitam, em forma de dor ou angústia, dos tecidos em decomposição ao Espírito, mediante a complexa rede de filamentos semimateriais que se fixam nas intimidades celulares, encarregados do processo aglutinador dos átomos nas realidades das funções e formas fisiológicas.
Expressiva a contribuição da mente no processo desencarnatório. Seja o hábito salutar do desprendimento, exercitado pelo Espírito encarnado, seja a lembrança mental dos que se vinculam aos desencarnados, as vibrações se transformam em sensações, produzindo, óbviamente, liberação ou cativeiro do Espírito às formas materiais, conquanto muitas vezes reduzidas a resíduos já em fase final de fusão na química inorgânica do subsolo ou nos carneiros em que jazem.
Comumente, após o desvanecimento da forma, as construções mentais, elaboradas em contínuas fixações nos centros da memória espiritual, se encarregam de reproduzir nas telas sensíveis do perispírito as formas-pensamento que se transformam em suplício de demorado curso – fantasmas que se corporificam e se atam ao desencardano, angustiando-o e atemorizando-o -, até que a dor corretiva, por paulatino processo de coercitivo desgaste, faça que as imagens vitalizadas desapareçam dos painéis mentais.
O mesmo ocorre no campo da organização somática, quando o Espírito sofre a constrição das elaborações mentais, a elas submetendo-se e experimentando o pêso do seu efeito – círculo vicioso, dominante -, que somente se modifica ao império da renovação interior, através de registros salutares que realizarão o ministério da paz, como resultante das conseqüências favoráveis que decorrem dessas causas edificantes.
* * *
Descontrai-te, libertando-te do medo, das paixões, das limitações e voa na direção das paisagens superiores, a fim de que a desencarnação, cujo processo lento já experimentas sem que o saibas, em se consumando, não te agrilhoe ao mundo das formas de que necessitas desvincular-te.
Dia chegará em que o teu processo reencarnatório culminará com a cessação dos ciclos vibratórios no corpo e terás que pairar além e acima das circunstâncias materiais, desencarnado, porém vivo; morto na forma, no entanto, em transformações de dentro para fora, prosseguindo na direção da Vida Abundante.
Joanna de Angelis
(página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, durante a reunião da Semana Espírita promovida pelo Departamento de Infância e Juventude do Ramal de Santa Cruz, no dia 25-7-71, na Gb.)
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
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