quinta-feira, 17 de maio de 2018

MENSAGEM DE FIM DE ANO

     Amados Companheiros:

     Chegados a pequena elevação, no caminho imenso já percorrido, em nossa marcha no carreiro do progresso, somos hoje uma Humanidade que se orgulha de primorosas realizações, no campo da ciência, na técnica do pensamento e na capacidade de agir. E desenvolvemos, nessa espécie de delírio coletivo, uma pretensão de sapiência que chega a se permitir sondar as raias do divino, do eterno, do substancial, como se fôssemos colonizadores de Universo ...
     Na verdade, poderíamos experimentar com a devida humildade e o indispensável senso das proporções, o contacto sublime com as realidades maiores da Grande Vida, se já nos encontrássemos perto das expressões de angelitude, ainda que do ponto de vista de nosso pequeno orbe, tão modestamente situado no esplendoroso concerto dos mundos.
     Se já beirássemos tais ápices, nenhuma significação essencial teriam também, para nós, os fastos dos calendários humanos, nem nos atingiriam as contagens do tempo e as limitações existenciais a que estamos submetidos.
     Não é assim, porém, ainda agora... Por enquanto, somos escolares em exercícios de libertação, condicionados pelas restrições da relatividade e vivendo na limitação de umas poucas dimensões sensoriais. Ainda é bem pouco o que podemos perceber de uma esplendorosidade que transcende quase por completo os nossos recursos de captação.
     Para nós, portanto, o tempo conta, representando bênção inapreciável do Poder Supremo, ensejo de elevação e de grandeza, de trabalho e redenção.
     Na presente oportunidade, o Pai Todo-Poderoso permite-nos repetir, em tentativas de oitava maior, velhas experiências, a ver se conseguimos ultrapassar os bloqueios a que nos submetemos voluntariamente.
     Ansiosos especialistas da corrida ao poder e desvanecidos heróis dos desmandos da abundância, recebemos de novo o mesmo tipo de mordomia, mas noutros níveis de ação, para aprendermos a adquirir a glória silenciosa e real do poder do amor e do trabalho e a disciplina do dever bem cumprido, libertador de almas e condão de maravilhosas ascensões.
     Para laborar em tais exercícios, o tempo é a matéria-prima de que dispomos, para as construções de fé, no artesanato sublime da obra crística, de que somos humílimos serviçais.
     Bendigamos, pois, os minutos e os meses, os anos e os séculos, com que o Divino Poder nos favorece, e tratemos de bem aproveitar a luz, enquanto é dia.
     Mais tarde, quando houvermos ganho novas capacidades de visão e entendimento, audição e liberdade, conheceremos a majestade dos mundos e dos planos onde a Eternidade desconhece tempo e espaço e onde a dinâmica da vida não precisa utilizar tensões vitais para alcançar o equilíbrio da inércia.
     Sim, existem a luz sem sombras, o dia sem noite, a glória sem sofrimento, o bem puro e total, a felicidade plena e o amor sem jaça. Para lá caminhamos, quase com a mesma velocidade com que a nossa morada planetária se desloca na direção da Lira. Precisamos, porém, ter sempre em conta que, por ora, somos apenas pequenos vermes do chão, abençoados pela luz do Sol que é Jesus-Cristo.

Áureo  ------ (extraído do livro Correio entre dois mundos, de Hernani T. Sant'Anna)

EM BUSCA DO MESTRE

       Se estamos procurando o Senhor, convém examinarmos atentamente como e por que o fazemos.  
       As narrativas evangélicas nos informam sobre uma turba, armada de espadas e paus, que procurou o Mestre, na calada da noite, para prendê-lo e levá-lo à morte.
       A História possui numerosos registros de pessoas e grupos que, aparentando buscar a Jesus, nada mais fizeram do que deturpar-lhe os ensinamentos sublimes, em proveito de suas vaidades e cobiças, utilizando o nome augusto do Pastor Divino para acobertar ou justificar todas as espécies de ignomínias e sordidez.
       Se, porém, buscamos o Mestre, guardando, no coração puro, o propósito sincero de amar e servir, estejamos convictos de que o próprio Cristo virá ao nosso encontro, como foi ao encontro daqueles Espíritos humildes e leais que Ele transformou em Apóstolos abnegados.

Fontes da Luz ------  Livro "Correio entre dois mundos" (Hernani T. Sant'Anna)               

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Livro Hernani Trindade de Sant'Anna, escritor, poeta e médium



Biografia dos livros publicados pelo escritor, poeta e médium Hernani T. Sant'Anna, escrito pelo professor Paulo Afonso Silva, editado pelo Cefak - Centro Espírita Fraternidade Alan Kardec em Abril/2018, em comemoração ao 40º aniversário da primeira edição do livro Universo e Vida em 1979. Essa comemoração foi realizada no auditório do referido centro espirita e transmitido ao vivo através da internet, no dia 29/04/18. Este vídeo pode ser assistido através do site do Cefak - www.cefak.com.br

Texto extraido do livro Correio entre dois mundos - 1



domingo, 28 de setembro de 2014

Eu vi Jesus, o Cristo.

Não. Não virei evangélico, não entrei pra nenhuma igreja, não pretendo fundar nenhum templo, enfim, não estou e nem estarei ligado a nenhuma religião. Continuarei com minhas convicções, com minha crença em Deus, independente de dogmas e conceitos pré-determinados que os padres ou pastores tentam impor aos fiéis. Também não irei pregar o evangélio pelas ruas e praças, assim como não tentarei, de forma nenhuma, convencer ou influenciar ninguém a seguir os ensinamentos do Mestre, tendo em vista que não sou nenhum exemplo de bondade ou de espírito elevado a ser seguido.
Contudo, eu realmente estive com Jesus Cristo. Ele é negro, estatura mediana (por vota de 1,70m), 60 ou 65kg, portanto magro. Vestia calça e camisa suja, em frangalhos, sapatos velhos e furados, sem cadarço. Estava sujo, faminto e com a barba por fazer.
Esta pessoa, que na ocasião que o vi pela primeira vez não sabia de quem se tratava, entrou no supermercado onde trabalho como gerente, e tentou roubar um pedaço de carne e queijo. Um segurança da loja desconfiou e o pegou no flagra, ao tentar sair da loja sem pagar pelos produtos. Ao ser informado da situação, e já farto do sentimento de impotência perante as normas de procedimentos que, nesses casos, não nos dão liberdade para agir de forma a evitar o retorno desses indivíduos indesejáveis que insistem em prejudicar nossos resultados construídos com tanto sacrifício, mandei que chamassem a polícia. Mesmo sabendo que o meliante seria solto ainda no mesmo dia, beneficiado pela legislação vigente e pela falta de estrutura do órgão competente que trata desse assunto, foi a forma que encontrei em dar uma lição ao indivíduo para que não voltasse mais na minha loja, pois saberá que irá ser conduzido para delegacia, sempre que tentar furtar produtos lá.
Quando chegaram os policiais, pedi então que realizassem o procedimento padrão e o conduzissem para o posto policial para registrar o fato e consequentemente, o enquadrassem como meliante. Assim foi feito. Colocaram as algemas e, no meio do caminho em direção à rua, o policial virou pra mim e falou: “tem certeza que quer fazer isso? Olhe para ele. Trata-se de um crakudo, um viciado. Não tem nada a perder e está com fome. Ele está roubando comida. O delegado vai, imediatamente, colocá-lo em liberdade pois é notório que agiu por instinto, pela sobrevivência”. Pensei naquelas palavras e concordei imediatamente. Mandei que retirassem as algemas e dispensei os policiais, agradecendo-os pelo serviço prestado. Porém, não podia deixá-lo ir sem nenhuma punição, pois senão correria o risco que voltasse a cometer o mesmo ato mesmo no dia seguinte. Resolvi então que ele deveria lavar a lixeira da loja e depois os banheiros, antes de dispensá-lo. Assim, o faria entender que para comer, é necessário trabalhar. Falei então com o meliante: “ Poderia mandar prendê-lo pelo que fez. Por que não pediu o alimento, ao invés de tentar roubá-lo?  Vai aprender a trabalhar agora.“ 
O deixei a cargo do segurança que cumpriu minhas ordens, e voltei para gerência.
Já na minha sala, sozinho, fiquei com a seguinte cena na cabeça: o coitado maltrapilho estava faminto. Será que aquela carne seria só pra ele, ou também pra sua família? Seria mesmo um viciado? Eu havia colocado para trabalhar. Não deveria então pagá-lo pelo serviço prestado? Estava eu querendo dar-lhe uma lição, então seria justo mostrar que ele conseguiria o alimento se trabalhasse pra isso.  Levantei então e fui novamente ao encontro do meliante afim de pagar, com meu próprio dinheiro, a carne que ele almejava, como pagamento ao serviço prestado da limpeza da lixeira da loja. Porém já era tarde. O segurança o havia dispensado logo após o serviço.
Não me perdoei por isso. Fui lerdo demais no pensamento! Fui injusto. Afinal, ele trabalhou e deveria receber por isso, mesmo que tenha errado antes. Quis dar uma lição, e não me beneficiar pelo erro alheio. Porém, não foi só isso.
Durante todo o processo abordado acima, a criatura em questão ficou calada, observando o desenrolar da história, minhas atitudes, minha raiva, meu nervosismo diante daquela situação.
Quieto, não tentou se defender, argumentar, fugir...   nada. Olhava pra mim com olhos serenos e respondia apenas quando questionado:
 - por que fez isso? Não sabe que é errado?
 –sei. Não irá se repetir.
Fez o que ordenamos, e foi embora sem dar nenhuma palavra.
Já passei por muitas situações nessa vida. Após 20 anos de mercado (já trabalhei em 5 mercados diferentes), vivenciei diversas situações muito mais excitantes, difíceis, constrangedoras e até mesmo mais perigosas do que essa. Mas confesso que esse episódio me fez pensar mais do que qualquer outra situação. Pensei sobre minhas atitudes, sobre minhas convicções, sobre o que costumo pregar como certo ou errado e também sobre as hipocrisias que cometemos.
Não estou passando por nenhum momento de nostalgia e por isso, meu coração ficou mole! Longe disso. Racionalmente falando, precisamos rever nossas ações e agir de forma mais coerente com nossas convicções. Coloco isso no plural porque sei (e vejo isso sempre) que nós sofremos muita influência da sociedade em geral, e esta sociedade em que vivemos é cruel, sórdida e ignorante na sua essência.
Jesus Cristo estava ali, na minha frente, em carne e osso, olhando pra mim. Errante, deixei de lado tudo que sabia sobre fraternidade e justiça e, sem raciocinar devidamente, dei lugar à raiva e insensatez. A minha atitude foi aprovada e comemorada por todos os funcionários que presenciaram o episódio. Eu, contudo, me senti envergonhado comigo mesmo.
Espero ter aprendido com isso. Senti necessidade de escrever essas linhas e deixar registrado de alguma forma a minha experiência, que pode servir para reflexão das pessoas que convivo.
Nesse mundo de expiações, precisamos ficar atentos às situações que vivenciamos para colocarmos em prática as nossas convicções e todo ensinamento que recebemos através das nossas experiências e também das experiências alheias. Só assim iremos desenvolver, cada vez mais, nossa capacidade de conviver.
Não é fácil. Para nós, não é nada fácil. Ainda estamos muito aquém das nossas capacidades de convivência em paz, com amor e fraternidade. Falta-nos coragem, desprendimento, paciência, compaixão, enfim, em termos gerais, somos uma sociedade medíocre, cheia de egoísmo, e rancor. Tudo isso, alimenta o sentimento de poder de diversos e verdadeiros demônios que convivem conosco.  Esses demônios que por vezes ganham força e notoriedade no cenário mundial, tem como base a ignorância, que destrói de forma eficiente a auto-estima e permite o aliciamento de servidores dedicados do mal. Cabe portanto a nós, corajosos e destemidos, combatermos o mal, fazendo cada um a nossa parte. Trabalhando,aprendendo e evoluindo, ganhando força e moral para atingirmos, enfim, nossa maturidade humana.
Para finalizar, tenho visto nosso amigo Jesus em toda situação que me permite exercitar todo conceito que aprendi com Ele, com seus exemplos, seus ensinamentos e seu amor.

Luis Aurélio

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Algumas de Confúcio e Lao-Tsé

O homem do bem exige tudo de si próprio; o homem medíocre espera tudo dos outros. (Confúcio).
Escolha um trabalho que ama e não terá que trabalhar um único dia em sua vida. (Confúcio).
O que ouço, esqueço. O que vejo, lembro. O que faço, aprendo. (Confúcio).
É melhor acender uma vela que amaldiçoar a escuridão. (Confúcio).
A alma não tem segredos que o comportamento não revele. (Lao-Tsé).
É fácil apagar as pegadas. Difícil é caminhar sem pisar no chão.(Lao-Tsé).
O sábio é notado sem se exibir. Renuncia a si mesmo e jamais será esquecido. (Lao-Tsé).
Para ganhar conhecimento, adicione algo todos os dias. Para ganhar sabedoria, elimine algo todos os dias. (Lao-Tsé).
Grandes realizações são possíveis quando se dá importância aos pequenos começos. (Lao-Tsé)
Quando vires um homem bom, tenta imitá-lo; quando vires um homem mau, examina-te a ti mesmo. (Confúcio).
Não são as más ervas que sufocam o grão; é a negligência do cultivador. (Confúcio)
Não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas. (Confúcio)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

MEU PAI, SOB MEU PRISMA

Falar do meu pai é relativamente fácil, pois sobram qualidades que podemos destrinchar através de histórias diversas e fatos protagonizados por ele, que marcaram nossos corações. Sou capaz de encher essa página de elogios, citando características peculiares da sua personalidade e da capacidade que ele tinha de encantar todas as pessoas que tiveram oportunidade de trocar um dedinho de proza com ele, independente da classe social, cultura, religião ou qualquer outro grupo existente na terra. Humilde, mas de enorme cultura e senso de justiça, sabia ouvir as pessoas com paciência. Depois fazia uma análise geral da situação que lhe era exposta, tecendo comentários que levavam, em grande maioria das vezes, a conclusões elucidativas que facilitavam as pessoas decidirem a melhor solução para seus problemas. Homem íntegro e convicto da sua responsabilidade de pai, tinha preocupação de agir sempre de forma correta, usando o exemplo como aliado principal na educação dos filhos. Os problemas profissionais nunca passaram da porta de casa, assim como as obrigações religiosas, que nunca influenciaram, de forma nenhuma, os anseios, as idéias, até mesmo as crenças de quaisquer dos filhos. Apesar de espíria atuante, com publicações de livros e assessorias na Federação Espírita Brasileira, meu pai nunca sequer iniciou uma conversa de tópico religioso comigo (e acredito que assim fazia com meus irmãos), pois tinha enorme preocupação em não influenciar nas convicções e no livre arbítrio de cada um. Era eu quem tomava a iniciativa do pleito, procurando esclarecer muitas dúvidas. Aí sim, ele discorria seus ensinamentos com grande felicidade e satisfação. Suas palestras em assembléias ou em centros espíritas eram preenchidas de altíssima energia, com conteúdos significativos que tocavam as almas de todos os participantes, como se recebêssemos uma rápida descarga elétrica divina que nos enchíamos de satisfação. O respeito era notório. O silêncio compulsivo revelava a disseminação de quaisquer argumento contrário que pudesse aparecer, pois as mensagens eram todas desprovidas de dogmatismos religiosos. Não importava a crença religiosa. As mensagens de amor fraterno e a busca pela paz interior dominavam todos os espaços, atingindo assim cada participante na sua essência espiritual, acima das suas convicções terrenas.
Não posso falar quase nada sobre a vida profissional, mas tive a grata satisfação de ter trabalhado durante tres anos no Mongeral-Montepio Geral de Economia, onde meu pai presidiu durante uma intervenção federal. Lá pude perceber que todos (incrivelmente todos) os funcionários da empresa, desde o atual presidente até os faxineiros, ascensoristas e recepcionistas, tinham alguma história pra contar. Todas dando ênfase à educação, simpatia e simplicidade do então presidente Hernani.
Em casa, no entanto, o Hernani que todos conhecem se permitia desatar as amarras das formalidades profissionais e de responsabilidades religiosas, tornando-se então um ser humano “mortal”, com defeitos, com preguiça, com desejos, etc. Amante da música e da ciência em geral, sua distração preferida era fazer gravações em fitas cassetes e fitas de vídeo. Não tinha preferência de estilos de música. Era altamente eclético, com algumas restrições aos rock’s “modermos” da época , sambas (pagodes) e funk. Adorava MPB, clássicos americanos e franceses e orquestras em geral. Quanto aos filmes, gostava muito de documentários científicos (principalmente astronomia) e documentários sobre animais em geral. Torcia pelo Botafogo do Rio e tinha verdadeira paixão pelos livros. Lia de tudo, geral. Infelizmente não teve tempo hábil para dominar o computador e desfrutar das suas facilidades atuais, senão certamente ele multiplicaria, de forma significativa, suas publicações literárias e talvez formaria uma enorme discoteca de cd’s e dvd’s montados por ele. É claro que o texto acima são visões pessoais, extraídas do meu convívio e das experiências que tive junto a ele. Certamente os meus irmãos terão outras impressões. Porém, acredito que a essência da personalidade descrita não mudaria muito. Não entrei no mérito das dificuldades vividas por ele na sua jornada da vida pra não ser repetitivo. Muito já foi dito a esse respeito. Procurei dar meu testemunho do que presenciei e espero ter sido útil de alguma forma.